IBGE revela carência no saneamento em grande parte dos municípios brasileiros
Publicado em Água. 27 de August de 2010 - 07:11 - por Rafaela Mussi
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, divulgada no dia 20 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há dois anos as redes de coleta de esgoto sanitário atendiam a menos da metade dos domicílios brasileiros, mesmo tendo sido ampliadas em 45% entre 2000 e 2008.
O estudo ainda mostrou que 45,7% das residências do país eram atendidas por essas redes naquele ano. Os outros 54,3% recorriam à fossas sépticas ou à alternativas ainda mais prejudiciais ao meio ambiente e à saúde, como fossas secas, valas a céu aberto ou até mesmo lançamento direto em cursos d’água.
O economista do IBGE, Paulo Gonzaga de Carvalho, destacou ainda um dado positivo: o percentual do esgoto coletado que é tratado passou de 35,3%, em 2000, para 68,8% em 2008. “Isso é um avanço considerável. É claro que ainda não é o ideal. E deve-se levar em conta que esse percentual de esgoto tratado inclui apenas o esgoto coletado pelas entidades responsáveis. Há ainda aquele esgoto que sequer passa por uma rede de coleta”, observou.
Os três estados com maior rede de coleta de esgoto são: São Paulo, com 82,1% de cobertura; Pernambuco (74,2%) e Minas Gerais (68,9%). Os outros 24 estados tinham, em 2008, menos da metade dos domicílios atendidos por redes coletoras. Os piores índices demonstrados foram de Rondônia, com uma cobertura de 1,6%; Pará (1,7%) e Amapá (3,5%). A pesquisa mostra também que, em 2008, 79,9% dos municípios estavam ampliando as redes de esgoto, um número bem superior ao registrado em 2000, quando apenas 58% faziam ampliações nas redes.
A rede de distribuição de água potável cresceu muito de 2000 para 2008, chegando a atingir 45,3 milhões de domicílios em 2008, ou seja, 78,6% do total no Brasil. Apesar da ampliação da rede, 6,2% dos municípios tratavam a água apenas parcialmente antes de distribuí-la e 6,6% não faziam nenhum tratamento sequer.
