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Artigo: É lei, mas pode não ser a solução

No Rio de Janeiro, as autoridades decidiram reforçar uma lei antiga, porém pouco praticada, a da obrigatoriedade do serviço gratuito de água filtrada a clientes de bares e restaurantes. A simples necessidade da existência de uma lei para aquilo que deveria fazer parte do bom senso comum, pois é praticado de forma corriqueira em países europeus e nos Estados Unidos, revela muito sobre nosso grau de cidadania. Saber que a lei é apoiada em grande parte pelo fato da água ter que ser servida gratuitamente também é revelador de que perdemos nossa referência do que é prioritário.
Não que estejamos contra a lei, que sem dúvida é muito importante. Mas o que nos incomoda é esta análise distorcida da real abrangência do tema da água tratada e seu impacto em nossas vidas quotidianas. Sim, porque a não ser que você viva em uma área rural com fontes de água mineral abundantes e de fácil acesso, você depende dessa água. Dar preferência ao consumo da água filtrada é importante porque ao fazermos isso estamos nos lembrando de que o direito ao acesso à água de boa qualidade e ao saneamento é justamente o direito mais básico de um cidadão. E que sem isso a nossa vida nas grandes cidades se tornaria gradativamente insuportável e inviável.
É claro que a questão da economia financeira é muito importante e nos afeta diretamente. Mas o que vimos com a derrocada da Lei das Sacolinhas plásticas na cidade de São Paulo é que o que incomodou muitas pessoas foi o fato das sacolas passarem a ser cobradas dos clientes. Não é preciso ser economista para saber que os custos incorridos por um estabelecimento comercial (sejam eles das sacolas ou da filtragem da água) vão estar embutidos no preço das mercadorias e serviços consumidos, mesmo que não destacados diretamente no cupom fiscal ou no menu do restaurante. E é fato que nenhuma Lei vai alterar a regra da formação de preços baseada na apuração dos custos operacionais.
Pode parecer exagero, mas praticar o consumo da água filtrada é muito mais do que economia financeira. É um ato cidadão, que valoriza a água tratada da sua cidade, patrimônio comum dos habitantes. Economiza milhares de embalagens descartáveis que poluem e enfeiam nosso ambiente. Ser consciente e lembrar-se disso todos os dias, essa sim á a real solução para parte dos nossos problemas.

*Artigo de Letycia Janot, publicado originalmente no site da iniciativa Água na Jarra: www.aguanajarra.org.

 

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