Hormônios da produção de leite podem persistir por anos contaminando a água
Publicado em Água. 30 de julho de 2012 - 14:25 - por Rafaela Mussi
by DocolUm novo estudo publicado recentemente descobriu que os efluentes gerados em fazendas de produção de leite contém notáveis concentrações de hormônios estrogênicos que podem permanecer por anos na água, em vez de se decompor. O comportamento incomum, desconhecido pelos cientistas anteriormente, envolve estrogênios que na ausência de oxigênio tem a biodegradação interrompida, tornando-se mais difíceis de se detectar.
O estudo foi liderado por pesquisadores do Centro de Tecnologia Sustentável de Illinois (CICT), nos Estados Unidos.
“O problema começa quando as vacas em lactação produzem hormônios estrogênicos que são excretados em seus resíduos”, disse o pesquisador Wei Zheng, líder do estudo. Em grandes confinamentos de animais, os hormônios acabam indo parar nas águas residuais. A água é utilizada para fertilizar as plantações, e embora existam legislações que limitam certos nutrientes agrícolas de poluir rios, córregos, lagos ou águas subterrâneas, os regulamentos não protegem os recursos da contaminação por hormônios de origem animal.
As concentrações hormonais dos animais em resíduos agrícolas são de 100 a 1000 vezes maior do que as detectadas no esgoto humano, e as fazendas de produção de leite são uma das principais fontes de estrogênios no meio ambiente, de acordo com Zheng.
Os hormônios podem afetar as funções reprodutivas de animais aquáticos, e mesmo em baixos níveis podem “feminilizar” animais que passam a vida na água, por exemplo, fazendo com que animais desenvolvam características femininas, comprometendo sua capacidade de se reproduzir.
